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terça-feira, 19 de julho de 2011

No Araguaia, romeiros e romeiras renovam compromisso com a Justiça Social

Gente de vários estados do Brasil tem a oportunidade de conhecer esta história, mantida pela memória oral, e de compartilhar denúncias de violações de direitos humanos, de machismo, de racismo...

Uma vela acende a outra, o fogo se multiplica por dois, por quatro, por oito, e logo são milhares as velas acesas nesta cidade do Araguaia. A fé move montanhas, mas velas não andam sozinhas: são muitos os romeiros vindos de outros estados da federação e de países da América do Sul e da Europa.

Na escuridão da noite, reinam as velas, uma imensidão a iluminar o caminho. Crianças, adolescentes, adultos, idosos são atraídos a cada cinco anos a Ribeirão Cascalheira, no Mato Grosso, para celebrar àqueles que entregaram a vida por uma causa. A Romaria dos Mártires da Caminhada não é uma celebração comum. “Não é uma festividade, não é um show. É uma memória martirial”, avisa Dom Pedro Casaldáliga, bispo que tornou famosa a Prelazia de São Félix do Araguaia ao defender ribeirinhos, indígenas, camponesas e todas as vítimas da opressão.

Aos 83 anos, retirado do comando da prelazia, é um mártir vivo desse encontro. Toda a comoção que já havia provocado ao longo do fim de semana se fez ainda mais forte aos fiéis quando afirmou que esta é sua última romaria na Terra, e que a próxima ele irá acompanhar a distância, no céu. Apesar de debilitado pelo Mal de Parkinson, Pedro enfrentou o exaustivo calor da manhã de domingo (17) para participar da celebração e cumprimentar a todos que conseguiram chegar até ele.

É, via de regra, um momento de emoção para quem o saúda. Os romeiros veem em Pedro um exemplo de entrega. Montserrat Calderó é, como o bispo, espanhola. Morando em Goiânia há quatro meses, não quis deixar passar a oportunidade de conhecer a alguém que há muitos anos admira. “Comecei a chorar. Não consegui falar nada, não me vinha nada à cabeça.” Seria difícil tentar explicar a reação de quem cumprimenta este senhor de corpo frágil e pequenino.

Energias
Quem comparece a este encontro garante sair de energias renovadas, mesmo após enfrentar uma viagem cansativa e uma rotina puxada, que inclui procissão de cinco quilômetros na noite de sábado e missa na primeira hora da manhã de domingo. O trabalho é mais árduo para os moradores desta cidade, que juntam forças durante meses para organizar a romaria. Os alimentos são plantados ou comprados pelos próprios, e todas as refeição são partilhadas na praça principal. Tudo coerente com a história da prelazia, que prima pela vida em comunidade, desapegada de bens materiais.

Essa é uma romaria revestida de forte caráter político, a começar pelo mote. O encontro é organizado desde 1986 para celebrar a memória dos mártires, em especial a do padre João Bosco Burnier. Em 1976, ao tentar fazer com que policiais militares dessem fim a uma sessão de tortura contra duas mulheres da comunidade, acabou assassinado.

Gente de vários estados do Brasil tem a oportunidade de conhecer esta história, mantida pela memória oral, e de compartilhar denúncias de violações de direitos humanos, de machismo, de racismo e de deslocamentos forçados. A terra xavante dos indígenas de Mato Grosso é ameaçada por invasores que se escoram na lentidão do Judiciário em encontrar um desfecho para a causa. “Tomaram da gente. Depois de 40 anos voltamos. Com luta, com peito aberto”, conta Carolina Rewwaptu, moradora das terras ameaçadas.

Padre Juquinha, da Comissão de Justiça e Paz da Arquidiocese de Porto Velho, reclama que continuam os maus tratos a trabalhadores das obras da hidrelétrica de Jirau, que há quatro meses se revoltaram. “Muitos são iludidos pelas construtoras a ir para lá, não conseguem emprego e não têm como voltar para casa”, acrescenta. “A romaria é uma maneira de mostrar que ninguém está só nessa luta.”

Luta por justiça
A região do Araguaia, além da questão dos Xavantes, tem problemas com exploração de mão de obra e com disputas fundiárias. Dagnon Odilon da Silva, um jovem de 21 anos, é natural de São José do Xingu, a algumas horas de Ribeirão Cascalheira, uma terra dominada por conflitos pela terra. Segundo ele, há fazendas maiores que municípios e os latifundiários contam com apoio dos poderes locais para manter áreas improdutivas e reprimir movimentos sociais. “As pessoas que cometem essas atrocidades têm poder sobre a mídia. Por que não se divulga nada sobre isso?”, indaga.

Após uma celebração sob o sol forte do Centro-oeste, os romeiros fizeram uma última refeição comunitária e começaram o longo caminho de regresso aos estados. “Devemos renovar nosso compromisso de seguir em caminhada rejeitando tudo quanto seja mentira, corrupção, morte”, aconselhou Pedro. Em cinco anos, tudo começa outra vez.

Por: João Peres, Rede Brasil Atual

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Testemunhas do Reino: Casaldáliga reflete sobre Romaria dos Mártires

O tema-lema da nossa Romaria dos Mártires deste ano de 2011 é TESTEMUNHAS DO REINO. O título mais abrangente e mais profundo que se podia escolher para uma romaria martirial. Dar a vida dando testemunho do Deus da Vida, da Paz, do Amor. Todos aqueles e aquelas que vão doando a sua vida, no dia a dia e a dão ‘de um golpe", na hora final da sua caminhada, são testemunhas do projeto de Deus para a Humanidade, para o Universo; respondem com o que têm de melhor ao sonho de Deus, ao Reino, ao Reino de Deus.

Com essa duas palavras -«Testemunhas do Reino»- sintetizamos tudo o que se possa dizer de uma vida doada, de uma morte vivida. Na visão cristã mais tradicional essa morte é vivida pela Fe cristã. Os mártires que a Igreja reconhece oficialmente são mártires da Fé, da Moral cristã, do Evangelho, explicitamente: missioneiros tal vez, vítimas da caridade heróica, virgens radicalmente fieis ao divino Esposo. Numa visão cristã renovada, mais profunda, mais consoante com a Palavra e com a Vida, com a Morte e a Ressurreição de Jesus, são mártires todos aqueles e aquelas que dão sua vida na morte pelas causas do Reino, pela justiça, pela paz, pela solidariedade, pela ecologia, pela verdadeira promoção do próximo marginalizado. Jesus no Evangelho os define categoricamente: a prova maior do amor é dar a vida por amor. Nosso padre João Bosco deu a vida como missionário entre indígenas e camponeses e deu a vida para libertar a duas mulheres submetidas à tortura.

Nestes dias é notícia, pelo menos nos meios de comunicação mais ao serviço do povo, a morte matada, no Sul do Pará, de um casal de militantes no serviço da Natureza, Zé Cláudio e Maria do Espírito Santo. Depois de Chico Mendes e da irmã Dorothy, mais dois ambientalistas são assassinados no Sul do Pará. Tristemente no mesmo dia em que a Câmara dos Deputados aprova o sinistro Novo Código Florestal, que legalizará o desmatamento, anistiando os crimes dos madeireiros. Zé Cláudio e Maria do Espírito Santo são dois novos mártires da floresta.

Ser cristão, cristã, é dar testemunho; responder com a própria vida aos apelos do Reino e contestar profeticamente à iniqüidade do antireino. Responder diariamente, com fidelidade, ao Amor de Deus no serviço fraterno. É ser coerente, com a palavra feita anúncio e com o anúncio feito prática. É ser testemunha, em primeiro lugar, da suprema testemunha, Jesus de Nazaré, proclamado no Apocalipse como «A Testemunha fiel». Ele veio para fazer a vontade do Pai, testemunhando radicalmente o amor de Deus. Ele veio para que todos tenhamos vida e vida plena. Ele repetiu ante seus perseguidores e todo o povo que suas obras davam testemunho d" Aquele que o enviou.

É uma corrente de ‘testemunhança". Jesus dá testemunho do Pai, os mártires dão testemunho de Jesus, nós damos testemunho dos nossos mártires. Somos testemunhas de testemunhas. E celebramos a Romaria dos Mártires da Caminhada, no Santuário de Ribeirão Cascalheira, para manter viva a memória de todos aqueles e aquelas que tombaram gloriosamente, com o testemunho do próprio sangue. Celebramos a Romaria dos Mártires num dia, num lugar, para re-assumir o compromisso de vivermos como testemunhas do Reino, cada dia, e em todo lugar. Para dar testemunho do testemunho de nossos mártires e renovar, com paixão, com radicalidade, com alegria, o nosso seguimento de Jesus, na procura do Reino, na vivência do Reino, na celebração do Reino, na invencível esperança do Reino.

Para a minha ordenação sacerdotal, lá pelos anos de 1952, escolhi como lembrança um santinho com aquela pintura de El Greco que apresenta Jesus olhando para o Pai e entregando-se a seu serviço: Os sacrifícios não te agradaram e eu vim para fazer a tua vontade. No santinho recolhi o versículo 8 do capítulo 1 do livro dos Atos dos Apóstolos, «Vocês serão minhas testemunhas até os confins da Terra».

E de qualquer confim e em toda circunstância seguiremos na caminhada, como testemunhas de testemunhas, como TESTEMUNHAS DO REINO.

Pedro Casaldáliga,
Bispo Emérito da Prelazia de São Félix do Araguaia, MT

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